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Hérnia de disco: tratamento conservador e cirurgia quando indicada

A hérnia de disco é uma das causas mais comuns de dor na coluna, com compressão dos nervos e perda de mobilidade. Entenda a causa da sua dor e descubra o tratamento mais indicado.

Hérnia de disco tem tratamento — e nem sempre precisa de cirurgia

O diagnóstico de hérnia de disco pode gerar dúvidas sobre dor, movimento e necessidade de operar. Muitos pacientes melhoram sem cirurgia. A escolha do tratamento depende dos sintomas, da avaliação clínica e da relação com os exames, considerando tanto a região lombar quanto a cervical.

O objetivo é controlar a dor, recuperar a função e orientar o retorno às atividades com um plano individualizado.

O que é hérnia de disco?

Os discos ficam entre as vértebras e ajudam a distribuir as cargas da coluna. A hérnia ocorre quando parte do material interno do disco ultrapassa seus limites habituais. Ela pode irritar ou comprimir estruturas nervosas, mas também pode aparecer em exames de pessoas sem sintomas.

O tamanho da hérnia, sozinho, não define sua gravidade nem a necessidade de cirurgia. É preciso entender se o achado explica as queixas do paciente. [1]

Hérnia lombar e cervical: quais sintomas podem aparecer?

Na região lombar, pode haver dor que se estende para a nádega e a perna, conhecida como dor ciática. Na região cervical, a dor pode irradiar do pescoço para o braço. Formigamento, dormência e perda de força também podem ocorrer.

Esses sintomas não são exclusivos da hérnia. A avaliação ajuda a diferenciá-la de outras causas de dor e de alterações nos nervos. [1] [2]

Como é feito o diagnóstico?

A consulta inclui a história dos sintomas e o exame de força, sensibilidade e reflexos. A ressonância magnética pode ser solicitada conforme a suspeita clínica, a evolução e o planejamento do tratamento. Nem toda dor na coluna exige ressonância imediata.

O laudo deve ser interpretado junto ao exame clínico: encontrar uma hérnia não comprova, por si só, que ela seja a origem da dor. [1] [2]

Tratamento conservador da hérnia de disco

Na ausência de comprometimento neurológico importante ou de uma urgência, o tratamento geralmente começa sem cirurgia. O acompanhamento permite ajustar as medidas conforme a resposta e identificar situações que exigem outra abordagem. [3]

Fisioterapia, exercícios e retorno às atividades

A reabilitação pode incluir exercícios adaptados, fortalecimento e orientações para as tarefas do dia a dia. As atividades são ajustadas aos sintomas, evitando tanto esforços que agravem o quadro quanto repouso prolongado sem indicação. A progressão deve ser orientada e reavaliada se aparecer perda de força ou piora persistente. [3]

Medicamentos para controle da dor

Medicamentos podem ser utilizados por períodos definidos para aliviar sintomas e facilitar a recuperação. A escolha depende da intensidade da dor, de outras doenças e dos remédios já usados. Não existe uma medicação adequada para todos; prescrição e acompanhamento evitam riscos desnecessários.

Infiltrações e bloqueios em casos selecionados

Em algumas situações, procedimentos para controle da dor podem ser considerados. Eles buscam reduzir a inflamação e os sintomas, mas não retiram a hérnia nem garantem que a cirurgia será evitada. A indicação depende da região, do quadro clínico e da avaliação dos benefícios e riscos. [2] [3]

Como saber se o tratamento está funcionando?

Além da intensidade da dor, são acompanhados o sono, a capacidade de caminhar, trabalhar e realizar tarefas, assim como força e sensibilidade. Não é preciso que a imagem do disco volte ao normal para haver melhora clínica.

Se a recuperação não evolui como esperado, o diagnóstico e o plano são reavaliados. Um prazo rígido não deve substituir essa avaliação.

Quando a cirurgia para hérnia de disco é considerada?

A cirurgia pode ser indicada quando a dor irradiada e a limitação permanecem importantes apesar do tratamento adequado, ou quando existe comprometimento neurológico que exige descompressão. A decisão considera a correspondência entre sintomas e imagens e as expectativas do paciente.

Para dor ciática por hérnia lombar, uma revisão de ensaios clínicos encontrou alívio mais rápido com discectomia, mas as diferenças em relação ao tratamento não cirúrgico diminuíram com o tempo; a certeza da evidência foi baixa a muito baixa. Isso reforça a necessidade de uma decisão individualizada. [4]

Quais cirurgias podem ser utilizadas?

A técnica depende da localização e das características da compressão. A finalidade é tratar o problema identificado, sem promessa de eliminar toda dor ou impedir novas alterações na coluna.

Microdiscectomia lombar

Remove a porção herniada que comprime o nervo na região lombar, geralmente preservando o restante do disco. Seu principal objetivo é aliviar os sintomas irradiados para a perna. Entenda a microdiscectomia lombar e sua recuperação.

Discectomia cervical e estabilização

Na região cervical, a retirada do disco pode ser associada à fusão vertebral. Em pacientes selecionados, uma prótese de disco ou outra abordagem pode ser considerada. Essas opções não são intercambiáveis para todos os diagnósticos. Saiba como funciona a discectomia cervical.

Cirurgia endoscópica e outras abordagens

Técnicas endoscópicas podem ser opções em casos selecionados. A presença de uma incisão menor não torna uma técnica a melhor escolha para todos. A indicação considera anatomia, localização da hérnia e experiência da equipe. A fusão lombar não é uma etapa obrigatória da cirurgia de hérnia de disco.

Sinais de alerta: quando procurar atendimento imediato

Dificuldade nova para urinar, perda de controle da urina ou das fezes, perda de sensibilidade na região íntima ou fraqueza que progride rapidamente exigem atendimento de urgência. Não aguarde uma consulta de rotina. Alterações novas de equilíbrio, da marcha ou da destreza das mãos também precisam de avaliação rápida, especialmente quando há suspeita de compressão cervical. [5]

Avaliação e tratamento de hérnia de disco

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Sobre o Dr. Alessandro Santoro

Ortopedista especialista em coluna

Com mais de 20 anos de experiência na ortopedia, formei-me em Medicina pela Universidade de Vassouras (RJ) e me especializei em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.

Buscando aprofundar meus conhecimentos, realizei uma segunda especialização em Patologias da Coluna Vertebral, área que se tornou o principal foco da minha atuação médica.

Minha prática clínica é voltada especialmente para o tratamento das dores lombares e cervicais, reabilitação funcional e abordagens modernas para o controle da dor, sempre com ênfase na recuperação integral e qualidade de vida dos pacientes.

Conteúdos para entender melhor a saúde da sua coluna

Veja orientações do Dr. Alessandro Santoro sobre sintomas, diagnóstico, tratamento e cuidados com a coluna.

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Perguntas frequentes sobre hérnia de disco

Hérnia de disco pode melhorar sem cirurgia?

Sim. Muitos pacientes apresentam melhora com tratamento conservador e acompanhamento. Isso não significa que toda hérnia terá a mesma evolução. Perda de força progressiva e sinais de urgência exigem avaliação específica. [3]

A hérnia precisa desaparecer no exame para a dor melhorar?

Não. A evolução dos sintomas e da função é mais importante que o laudo isolado. Alterações no disco podem persistir mesmo quando a pessoa está melhor. [1]

Quem tem hérnia de disco pode fazer exercícios?

Em muitos casos, sim, com adaptação e orientação. A escolha depende dos sintomas e do exame clínico. Não há uma lista universal de exercícios proibidos para toda pessoa com hérnia. [3]

É necessário ficar de repouso até a dor passar?

Repouso prolongado geralmente não é a estratégia principal. Pode ser necessário ajustar temporariamente atividades dolorosas, mantendo uma retomada gradual conforme orientação. [3]

A infiltração cura a hérnia de disco?

A infiltração busca aliviar sintomas em casos selecionados; não remove o material herniado. A resposta e a duração do alívio variam, e o procedimento deve integrar um plano de tratamento. [2]

Ter uma hérnia grande significa precisar operar?

Não necessariamente. A indicação depende da localização, da compressão, dos sintomas e dos achados neurológicos, além da evolução. O tamanho descrito no exame não é um critério suficiente por si só. [1]

Referências científicas e orientações para pacientes

  1. Hérnia lombar: diagnóstico e tratamento. AAOS. Herniated Disk in the Lower Back. Material educativo sobre sintomas e opções conservadoras e cirúrgicas.
  2. Compressão nervosa cervical. AAOS. Cervical Radiculopathy (Pinched Nerve). Orientação sobre diagnóstico e tratamento; não é um ensaio clínico.
  3. Tratamento conservador da hérnia lombar. The role of conservative treatment in lumbar disc herniations: WFNS spine committee recommendations. World Neurosurgery: X, 2024. Revisão e consenso que apoiam tratamento conservador como primeira abordagem na ausência de déficits neurológicos relevantes. As recomendações são específicas para hérnia lombar.
  4. Cirurgia versus tratamento não cirúrgico da dor ciática. Liu C e colaboradores. Surgical versus non-surgical treatment for sciatica: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ. 2023;381:e070730. Encontrou benefícios mais rápidos da discectomia, com diminuição das diferenças ao longo do tempo e evidência de baixa a muito baixa certeza. Não representa todos os casos de hérnia cervical.
  5. Sinais de urgência neurológica. AANS. Cauda Equina Syndrome. Orientação sobre comprometimento das raízes nervosas lombossacras e necessidade de atendimento imediato.