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Escoliose e deformidades- como tratar de forma correta e segura?

A escoliose é uma curvatura anormal da coluna para o lado, geralmente acompanhada de rotação das vértebras. Ela pode surgir na adolescência, durante a fase de crescimento, ou aparecer/piorar na vida adulta, muitas vezes ligada ao desgaste natural da coluna. Dependendo do grau da curva, pode causar assimetrias visíveis nos ombros, na cintura ou no quadril, além de dor nas costas, cansaço postural e limitação progressiva dos movimentos.

Deformidades da coluna que podem acompanhar a escoliose

Além da escoliose, outras deformidades podem coexistir e influenciar os sintomas, como:

  • Hipercifose: aumento da curvatura para frente na parte torácica da coluna, podendo deixar o tronco mais inclinado e favorecer dor e fadiga muscular.

  • Hiperlordose: aumento da curvatura para trás, mais comum na região lombar, que pode intensificar a sobrecarga nas articulações e gerar dor ao ficar muito tempo em pé ou caminhar.

  • Desequilíbrios do alinhamento corporal: quando a coluna perde o eixo ideal e o corpo passa a compensar a postura para manter o equilíbrio. Isso pode causar assimetria, esforço muscular excessivo e piora gradual do alinhamento.

Essas alterações podem aparecer isoladas ou associadas à escoliose e, quando se acentuam, tendem a causar dor mecânica, sobrecarga muscular e piora do alinhamento ao longo do tempo. Por isso, a avaliação deve considerar não só o grau da curva, mas todo o padrão de deformidade da coluna e seu impacto funcional no dia a dia.

Sintomas e sinais de alerta

Os sintomas variam conforme o tipo de curva, sua progressão e a presença de deformidades associadas. Os sinais mais comuns são:

  • Assimetria de ombros, cintura ou quadril;

  • Dor nas costas que se repete ou piora aos poucos;

  • Sensação de cansaço para manter a postura;

  • Perda de mobilidade e rigidez;

  • Dor irradiada, formigamento ou fraqueza quando há compressão nervosa;

  • Piora visível do alinhamento corporal;

  • Em curvas muito avançadas, redução da capacidade respiratória.

Se a deformidade está evoluindo ou os sintomas estão interferindo na rotina, é importante buscar avaliação especializada.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa com exame clínico postural, avaliando simetria corporal, rotação do tronco, equilíbrio e mobilidade. Também é feita uma avaliação neurológica para investigar sinais de compressão de nervos, como alteração de sensibilidade ou perda de força.

As radiografias panorâmicas da coluna são usadas para medir o grau da curvatura (ângulo de Cobb) e acompanhar a progressão ao longo do tempo. Em alguns casos, a ressonância magnética ou a tomografia ajudam a avaliar discos, canal vertebral, raízes nervosas e desgaste associado, especialmente em adultos. Com esse conjunto de dados, define-se o tratamento mais adequado e se há indicação de correção cirúrgica.

Opções de tratamento

Tratamento conservador

A maioria dos pacientes com escoliose e deformidades pode ser acompanhada sem cirurgia, com o objetivo de aliviar sintomas, melhorar a função e reduzir o risco de progressão. 

O tratamento conservador costuma envolver fisioterapia direcionada, fortalecimento muscular, reeducação postural, ajustes na rotina e no estilo de vida, além do controle da dor e do acompanhamento periódico por exames de imagem. 

Em casos específicos — principalmente durante a adolescência — o uso de colete pode ser recomendado para ajudar a manter a curva estável durante a fase de crescimento.

Quando a cirurgia passa a ser considerada

 A cirurgia entra como opção quando a curva progride mesmo com acompanhamento, quando a deformidade causa dor persistente e limitante, quando há desequilíbrio postural importante ou quando aparecem sinais de compressão nervosa com piora funcional. Em deformidades avançadas, a correção pode ser indicada para recuperar alinhamento, reduzir a dor e evitar perda progressiva da qualidade de vida.

Principais técnicas cirúrgicas de tratamento

Correção e artrodese com instrumentação

 O objetivo da cirurgia é corrigir a curvatura, melhorar o alinhamento e estabilizar a coluna para evitar nova progressão. Para isso, utiliza-se instrumentação com hastes e parafusos, que reposicionam as vértebras de forma controlada e mantêm a correção.

Correção posterior com parafusos e hastes

Essa é a técnica mais utilizada. A correção é feita por via posterior, com colocação de parafusos nas vértebras e hastes que ajudam a alinhar a coluna. O grau de correção e os níveis abordados dependem do tipo de curva e do equilíbrio global do corpo.

Procedimentos associados

Em alguns casos, especialmente quando a deformidade é mais rígida ou existe compressão de nervos, podem ser necessários procedimentos complementares para ampliar a correção da curva e/ou aliviar a pressão sobre as estruturas neurológicas.

Entre os procedimentos que podem ser associados estão: osteotomias da coluna, descompressão neural (como laminectomia e/ou foraminotomia), liberações/discectomias para ganho de mobilidade e, em deformidades graves e muito rígidas, técnicas como osteotomia por subtração pedicular (PSO) ou ressecção vertebral (VCR).

Técnicas minimamente invasivas

Em alguns casos, técnicas menos invasivas podem ser consideradas como parte do planejamento, com o objetivo de reduzir a agressão aos tecidos e favorecer uma recuperação mais confortável. Nem todo caso é candidato, e a indicação depende do padrão da curva e da estabilidade da coluna.

Quando procurar um especialista em coluna

Procure avaliação se notar assimetrias que pioram com o tempo, dor persistente, fadiga postural, perda de mobilidade ou qualquer sintoma neurológico associado, como irradiação, dormência ou fraqueza. A avaliação precoce ajuda a definir a melhor estratégia para evitar a evolução silenciosa da deformidade.

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Sobre o Dr. Alessandro Santoro

Ortopedista Especialista em coluna

Com mais de 20 anos de experiência na ortopedia, formei-me em Medicina pela Universidade de Vassouras (RJ) e me especializei em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.

Buscando aprofundar meus conhecimentos, realizei uma segunda especialização em Patologias da Coluna Vertebral, área que se tornou o principal foco da minha atuação médica.

Minha prática clínica é voltada especialmente para o tratamento das dores lombares e cervicais, reabilitação funcional e abordagens modernas para o controle da dor, sempre com ênfase na recuperação integral e qualidade de vida dos pacientes.

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Perguntas frequentes sobre deformidades da coluna e tratamento conservador

Escoliose e hipercifose são a mesma alteração?

Não. A escoliose envolve uma curvatura lateral e rotação das vértebras. A hipercifose corresponde ao aumento do arredondamento da coluna torácica, observado de perfil. As duas alterações podem coexistir, mas precisam ser avaliadas individualmente. [1]

Para conhecer os conceitos básicos e os tipos de curva, consulte a página sobre escoliose .

Melhorar a postura pode corrigir uma deformidade da coluna?

Depende da origem da alteração. Uma hipercifose postural flexível é diferente de uma deformidade estrutural, na qual existem mudanças no formato das vértebras. Orientações e exercícios podem integrar o tratamento, mas não se deve esperar que toda deformidade seja corrigida apenas ao “endireitar as costas”. [1]

Fisioterapia e exercícios específicos ajudam na escoliose?

Podem fazer parte do tratamento. Para a escoliose idiopática durante o crescimento, as diretrizes SOSORT incluem exercícios específicos, adaptados ao padrão da curva e orientados por profissionais capacitados. Eles podem envolver autocorreção e controle da postura nas atividades diárias. [2]

Esses exercícios não substituem o colete quando ele está indicado. Em adultos, a reabilitação pode buscar melhora da força, da mobilidade e da capacidade funcional, sem garantir a correção da curva. [2] [4]

Quando o colete é indicado para escoliose?

O colete pode ser indicado para determinadas curvas em pacientes que ainda estão crescendo. A decisão considera a magnitude da curva, sua evolução e o crescimento restante. O objetivo principal é reduzir o risco de progressão, e não garantir que a coluna fique completamente reta. [3]

O modelo, os ajustes e o tempo diário de uso devem seguir uma prescrição individual. A adesão ao uso recomendado influencia os resultados. [3]

O tratamento conservador é diferente em crianças, adolescentes e adultos?

Sim. Durante o crescimento, o acompanhamento considera especialmente o risco de progressão da curva. Conforme o diagnóstico, podem ser indicados observação, exercícios específicos e colete. [2]

Nos adultos, o plano costuma dar maior atenção à dor, ao equilíbrio e às limitações nas atividades. O eventual uso de colete tem objetivos diferentes daqueles do tratamento durante o crescimento. [4]

É possível melhorar os sintomas sem corrigir completamente a curva?

Sim. O tratamento conservador pode melhorar a capacidade para realizar atividades e ajudar no controle dos sintomas, mesmo quando a deformidade estrutural permanece. A resposta varia, e o acompanhamento permite ajustar as metas de tratamento. [4]

Quando há progressão ou limitações importantes, pode ser necessária uma avaliação adicional. Os critérios e as possibilidades cirúrgicas estão detalhados na página sobre cirurgia para escoliose .

Evidências sobre o tratamento conservador

A escolha do tratamento depende do diagnóstico e da fase de vida. As recomendações para escoliose idiopática durante o crescimento não podem ser aplicadas automaticamente a deformidades congênitas, neuromusculares ou degenerativas.

As diretrizes SOSORT orientam o uso de exercícios específicos, coletes e acompanhamento em pacientes em crescimento. Elas reúnem estudos e recomendações de especialistas; a certeza da evidência varia entre as intervenções. [2]

Para adultos, a Scoliosis Research Society descreve opções conservadoras voltadas aos sintomas e à função. Isso não equivale a uma promessa de reversão da deformidade. [4]

Referências científicas e materiais educativos

  1. Scoliosis Research Society. Kyphosis. Material educativo sobre diferenças entre cifose postural e estrutural, causas e possibilidades de tratamento.
    Consultar orientações sobre cifose
  2. Negrini S, et al. 2016 SOSORT guidelines: orthopaedic and rehabilitation treatment of idiopathic scoliosis during growth. Scoliosis and Spinal Disorders. 2018;13:3. Diretriz clínica sobre tratamento conservador da escoliose idiopática durante o crescimento.
    DOI: 10.1186/s13013-017-0145-8.
    Ler a diretriz completa
  3. Scoliosis Research Society. Bracing. Orientações para pacientes sobre indicação do colete, prevenção da progressão e importância da adesão.
    Consultar orientações sobre colete para escoliose
  4. Scoliosis Research Society. Adult Scoliosis. Material educativo sobre avaliação e opções de tratamento da escoliose em adultos.
    Ler sobre tratamento da escoliose em adultos

Conteúdo educativo. A indicação de exercícios, colete ou outras medidas depende de avaliação individual.